“Um olhar sob um Corpo Espontâneo”
Um dia desses vinha eu caminhando despercebido pelas ruas da periferia de São Paulo, quando então me deparei com um quase atropelamento! Eram as crianças brincando de bola na rua sem compromisso, desprovido de calçados, sem pretensão de serem profissionais. Depois, veio em mim o pensar..., era apenas uma brincadeira ou era um jogo? Pairou-me um verdadeiro enigma! As diversidades das adversidades nos condicionarão escolhas. Dos esportes, luta, dança e ginástica, nos proporcionarão liberdade, autonomia, prazer, paixão pela escolha. Das oportunidades nos vem o enriquecimento com então chamada cultura corporal que podemos dar qualquer outra nomenclatura, como exemplo, expressão corporal, manifestação corporal etc., porém, o que menos interessa é a nomenclatura dada, mas pelo prazer de desenvolver diversas habilidades, tanto motora quanto cognitiva, dando-nos a autonomia, essa por sua vez, me deixa a escolha.
Os pais, muita das vezes tentam inserir seus filhos naquela modalidade que, por motivos diversos não foram coroados com sucesso, ficando-lhes certa frustração, esses por sua vez, também vítimas da segregação, do sensacionalismo que se propaga, pela omissão de alguns profissionais que se negaram ou não tinham conhecimento a propor oportunidades de vivenciarem a dança, a luta ginástica ou qualquer outro esporte além da bola ou até mesmo ela, foi transmitida de forma segregada, ou seja, o futebol. Esse por sua excelência universal nos contagia apesar de não sermos o criador, mas adotamos como verdadeiros pais que lhe deu carinho, atenção e a tratamos com imensa dignidade, vindo até coroar um “Rei”, que certamente não seja tão digno quanto o “nosso filho”, o futebol!
Mas será que queremos ser jogador de futebol? Ou queremos ser bailarino clássico? Ou podemos ser jogadores de rugby ou até mesmo ginasta? Ou queremos vivenciar todos eles pelo simples prazer do brincar?! E me veio a refletir... De fato, sei o que quero se serei um atleta profissional de futebol, disso eu não posso afirmar, se serei um cidadão do bem, disso eu tenho certeza. Estou em tempo de escolha, pois a liberdade eu a tenho, ela veio a mim em forma de dança, luta e esporte... Essa paixão se manifestou no brincar e no jogar, no vivenciar na então falada cultura futebolística, para tanto, espero que entendam, adotamos o futebol, mas não posso adotar sonhos, dos sonhos, que se manifestem em mim como a manifestação do prazer pela prática de futebol, sem empecilhos com autonomia, com liberdade para que eles permaneçam por toda minha vida me dando alegria, satisfação pela busca, pois a dança, a luta, a ginástica e o esporte me proporcionaram essa escolha, o futebol, seja na forma do brincar, seja na forma do jogar!
Autor: Santos, Alexandre P.